Nos Alive

A espera finalmente terminou. Depois de oito anos ausentes em palcos nacionais, os Pearl Jam foram anunciados como cabeça de cartaz no último dia do festival Nos Alive. Desde os anos 1990, que a banda de Eddie Vedder tem uma ligação forte e bastante emotiva com o público português e por isso, a presença no festival do Passeio Marítimo de Algés pode ser considerada como um dos grandes trunfos para a 12ª edição deste evento.

No entanto, a relação entre o festival e o grupo musical remonta a 2007, ano do qual ocorreu a primeira edição. O evento apenas se chamava “Oeiras Alive” (sem patrocínios à mistura) e afirmava-se como um festival de “música e arte”. O cartaz contou com a presença dos Smashing Pumpkins, The White Stripes, Beastie Boys, Linkin Park e claro dos Pearl Jam.

A atuação da banda norte-americana aconteceu no dia 8 de junho e, reza a lenda, que foi um dos concertos mais celebrados dessa edição. O facto de o festival partilhar o nome – “Alive” – com um dos temas mais reconhecidos do repertório dos Pearl Jam foi um dos pontos de partida que criaria uma ligação “mágica” entre ambos.

O sucesso foi tanto, que resultou no regresso em 2010 e, desta vez, com direito a lotação esgotada. O concerto fortaleceu ainda mais a ligação da marca “Alive” com do grupo de Eddie Vedder e companhia. A entrega dos músicos em palco e, na altura, com o álbum «Backspacer» ainda fresquinho, a atuação agradou tanto os fãs casuais, mas sobretudo os fãs de longa data.

Quase uma década de ausência em palcos portugueses, o que Pearl Jam estiveram a fazer durante este tempo? Para começar editaram um álbum ao vivo («Live on Ten Legs» em 2011) e um novo disco de longa duração («Lightining Bolt» em 2013).

Para além da música, a banda vinda de Seattle tem andado ocupada com re-edições dos primeiros álbuns em vinil. No mesmo ano que disponibilizam «Live on Ten Legs» nas lojas, o documentário «Twenty» estreia nas salas de cinema. Realizado por Cameron Crowe, jornalista da Rolling Stone e amigo próximo do grupo, o filme retrata a carreira dos Pearl Jam no grande ecrã.

2011 viria a ser também um ano especialmente preenchido para o vocalista Eddie Vedder. Lança o segundo álbum a solo, intitulado «Ukelele Songs» e o primeiro filme-concerto em nome próprio: «Water on the Road».

Entre digressões nas “américas” (tanto do norte como do sul), na oceania e também na europa, Pearl Jam em solo português parecia uma miragem. Pelo menos, Eddie Vedder compensava a ausência da banda com atuações intimistas em grandes festivais de verão. Primeiro foi no Meo Sudoeste em 2012 e no Super Bock Super Rock, dois anos depois.

Em 2016, os Temple of The Dog – super-banda que juntou Chris Cornell e Eddie Vedder para homenagear a memória de Andrew Wood dos Mother Love Bone – juntaram-se novamente para celebrar 25 anos do único disco que editaram.

Neste ano, o grupo aventurou-se mais uma vez no cinema. É exibido o filme-concerto «Let’s Play Two», gravado no estádio Wringley Field, casa dos Chicago Cubs, equipa de basebol. A atuação é especial porque acontece no ano em que a equipa-norte americana vence, de forma inédita, o World Series.

A título de curiosidade, Eddie Vedder é adepto fervoroso desta equipa. A devoção é tanta que o vocalista chegou mesmo a compor uma música dedicada aos Cubs. Chama-se «All The Way» e, no ano em venceram a competição, a canção teve direito a um teledisco.

Feito este aparte, 2017 tornou-se memorável para a banda de Seattle. Entraram no Rock n Roll Hall of Fame e o ano que se avizinha, voltam à vida de estrada. Até à data, ainda não se sabe se vai haver novo disco na bagagem.

Menos de uma semana depois da confirmação da banda no festival Nos Alive, os ingressos para o dia que atuam, encontram-se esgotados e o passe para os três dias segue para o mesmo caminho.

Goste-se ou não, a verdade é que os Pearl Jam são um fenómeno da música rock à escala mundial e aposto que será, de longe, um dos momentos altos da época festivaleira da próxima temporada.

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Antropólogo, aspirante a músico mas o que move é a paixão pelo jornalismo. Os conhecimentos adquiridos no curso de Antropologia fizeram abrir horizontes e pensar “fora da caixa”, algo que faz falta em qualquer área de trabalho. O fascínio pela música faz sentir-se também nesta área e nesse sentido o principal interesse é pelo jornalismo musical. Com passagens pelo universo da rádio e da televisão, não descarta qualquer meio audiovisual para fazer uma reportagem.