Zé Pedro – O Bom Rebelde

Acedi ao convite para escrever sobre este personagem marcante da história do rock português porque acho que tenho alguma coisa de novo a acrescentar ao todo que possa ser dito sobre ele.

ze pedro

De tudo o que se possa dizer do carismático ícone dos Xutos & Pontapés – Zé Pedro – acedi ao convite para escrever sobre este personagem marcante da história do rock português,  porque acho que tenho alguma coisa de novo a acrescentar ao todo que possa ser dito sobre ele.

Vi-o pela primeira vez numa discoteca lendária do Porto, que fechou portas há já muito tempo e de que poucos se lembram – Salt’ Ibérico – sediada na Rua da Constituição (ao Marquês do Pombal) e que fechou portas logo no início dos anos 90. Curiosamente, numa curta conversa que tive com o Zé Pedro, ele recordou-se. Foi numa sessão de autógrafos antes do célebre concerto no TUP, corria o ano de 1986. Era eu um puto adolescente do ensino secundário e fui lá todo curioso como todos os outros que me acompanhavam. Eram cabeças de cartaz e a abrir, havia três bandas Espanholas: Las Termitas; La Traicion e El Metodo Sueco. Quando os Xutos entraram em palco nessa noite, foi o delírio.

Depois disso, só muito mais tarde e depois de ter visto muitos concertos deles um pouco por todo o país, tive oportunidade de ter algumas curtas conversas com o Zé aquando dos concertos de tributo a Clash – Clash City Rockers. Era sempre uma festa. A última vez que falei com ele foi na Fnac do Norte Shooping.

De todas estas curtas conversas que tive o privilégio de ter tido com ele e de tudo o que li e que vi em concertos, quero aqui falar de um dos aspetos mais curiosos da vida de um artista que se torna carismático no decorrer dos anos. O Zé Pedro era um bom guitarrista ritmo, um bom compositor, um bom letrista e um excelente performer. Mas disso está o mundo cheio! Então o que é que fez dele a figura que é e que será sempre?

Carissimos leitores… na minha humilde opinião era uma combinação de quatro factores que o tornaram único: Entusiasmo; Cortesia; Alegria e o Estilo à la Clash.

Ás vezes perguntam-me: “Eh pá porque é que há gajos que tocam melhor que os próprios elementos das bandas e apenas se ficam por workshops; lojas de música; músicos de estúdio e afins?”… Por isso mesmo. Porque apenas são excelentes executantes. Ir para um palco, e parecer uma “formiguita” no meio dele, qualquer um pode fazê-lo. Agora, ir para o palco e enchê-lo e reter os olhos de toda uma plateia em si e fazê-los sonhar ao som das canções, não é para qualquer um!

O Zé Pedro era mestre nessa arte. Porque não era forçado. Era ele, ali assim tal qual como era. Genuíno e verdadeiro. Distribuía riffs de guitarra impregnados de um entusiasmo contagiante, percorria o palco de guitarra pousada abaixo da anca e dançava com ela, distribuía sorrisos com uma alegria desenhada no rosto e a simplicidade de um rapaz grande, mas um rapaz. E o estilo era avassalador. Não fosse ele um admirador de Clash desde sempre. Sempre muito bem enquadrado, era de longe o mais bem apresentado dos Xutos & Pontapés. Era o estiloso do grupo. Vestia o seu próprio personagem e brindava-nos com a cortesia que lhe era característica. Era um Rocker… e um Gentleman! Conseguia ser um revolucionário mas na pele de um bom rebelde.

Até sempre, Zé!

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Músico, letrista e compositor da cidade do Porto. Nascido em Luanda por mero acaso temporal vem para a Invicta com apenas 3 meses. Vê na música a inspiração de uma vida e o seu percurso começa muito cedo, ainda adolescente no ensino secundário, em bandas de punk rock’n’roll. Cria um projecto diferente alicerçado em coisas e estilos que sempre idolatrara mas que nunca tivera coragem de abordar e compõe inúmeros poemas vestindo-lhes o estilo que alguém mais tarde viria a carimbar de “Indie Tarantino”. Com amigos nascem os Bang Bang Romance. Gosta das palavras e dá-se bem com elas.